Resenha de literatura: “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (Julio Verne, 1873)


A história do livro é ambientada em 1872, onde vive em Londres um cavalheiro misterioso, rico e extremamente disciplinado, chamado Phileas Fogg. Típico inglês fleumático, ele faz uma audaciosa aposta com os colegas de um clube refinado afirmando que conseguiria dar a volta ao mundo em apenas 80 dias. Mais motivado pela aventura do desafio do que o dinheiro da aposta, o Sr. Fogg contrata um ajudante para acompanhá-lo, o francês Jean Passepartout, jovem, forte e habilidoso em artes circenses. Em paralelo, ocorre um roubo milionário num banco londrino e o detetive Fix, a serviço da polícia local, reúne informações que revelam a possibilidade do Sr. Fogg ser um suspeito do crime, decidindo acompanhá-lo nas viagens ao redor do mundo, tentando uma oportunidade para prendê-lo.
Na incrível jornada, eles enfrentam perigos e aventuras diversas, passando por países como Egito, Índia, China (Hong Kong), Japão e Estados Unidos. No meio do caminho, eles resgatam uma bela e jovem mulher hindu de um ritual religioso de sacrifício humano. Seu nome é Aouda e acompanha o grupo na viagem. Eles utilizam meios de transporte variados como um elefante, trens, barcos, navios e um trenó, enfrentando diversos obstáculos como tempestades, trapalhadas imprevistas do criado Passepartout, perseguições de fanáticos religiosos e um ataque de índios selvagens.
“A Volta ao Mundo em 80 Dias” tem uma leitura fluente e agradável, que prende a atenção para saber com ansiedade os acontecimentos, torcendo pelo sucesso da arriscada empreitada de uma jornada ao redor do planeta, com prazos apertados e formas criativas do Sr. Fogg em driblar as adversidades. Valorizando preciosas qualidades do ser humano como coragem, educação, honestidade, lealdade, amizade e principalmente disciplina e honra. Além de mostrar também o mundo na época, com países que eram controlados pela Inglaterra como a Índia e Hong Kong (que faz parte da China atualmente). O livro é um dos mais conhecidos de Julio Verne, e inspirou adaptações para o cinema como a divertida versão de 1956, com o aristocrático ator inglês David Niven (1910 / 1983) como Phileas Fogg e o comediante mexicano Cantinflas (1911 / 1993) como Passepartout.
O escritor francês Julio Verne (1828 / 1905) é um mestre em contar aventuras e tornou-se um precursor da ficção científica com obras divertidas como “Viagem ao Centro da Terra”, “20.000 Léguas Submarinas”, “Da Terra à Lua”, “A Ilha Misteriosa”, entre outras. (RR)

“A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1873)
Autor: Julio Verne
Editora FTD (2007)
Tradução e adaptação de Walcyr Carrasco
213 páginas

www.infernoticias.blogspot.com.br (escrito em 11/07/16 e postado em 15/07/16)

“Archgoat” (Finlândia) em São Paulo (Inferno Club) no dia 20/08/16


“Unchain My Soul” – “Where Shadows Forever Reign” (2016) – “Dark Funeral” (Suécia)



Está disponível o número 67 do fanzine impresso de Horror e Ficção Científica “Astaroth”


“Astaroth” número 67 (Julho de 2016), 4 páginas, formato A4.
Textos de cinema fantástico: “The Evil Dead”.
Versão impressa distribuída gratuitamente em eventos. Ou solicite a versão em PDF por e-mail.
Contatos: renatorosatti@yahoo.com.br

Está disponível a edição virtual e gratuita do fanzine “Juvenatrix” número 178


Para solicitar sua cópia em formato PDF, envie um e-mail para: renatorosatti@yahoo.com.br
Conteúdo:
“Juvenatrix” número 178 (Junho de 2016), 13 páginas.
Capa: “Angelo Junior”.
Contra capa: “Legions of Destruction” (“Belphegor”).
Metal: “Exorcist” (EUA).
Divulgações e curiosidades.
Contos de Douglas da Silva Mesquita e RR.
Artigo (por RR): “Guerra dos Mundos”.


Está disponível o número 13 do fanzine impresso de Horror e Ficção Científica “Boca do Inferno”


“Boca do Inferno” número 13 (Julho de 2016), 2 páginas, formato A4.
Textos de cinema fantástico: “A Casa dos Horrores Mortais” (The Strange and Deadly Occurrence, EUA, 1974), “A Mosca da Cabeça Branca” (The Fly, EUA, 1958).
Versão impressa distribuída gratuitamente em eventos. Ou solicite a versão em PDF por e-mail.
Fanzine representante do site de Horror “Boca do Inferno” (www.bocadoinferno.com.br) e blog de divulgação “Infernotícias” (www.infernoticias.blogspot.com).
Contatos: marcelomilici@yahoo.com.br e renatorosatti@yahoo.com.br


Divulgação de blog: “Poeira de Museu”



Conto de horror: “Esmagamento Craniano” (1997)


Esmagamento Craniano                   por RR

                Após o primeiro golpe do pesado martelo sobre sua cabeça, ele pode ouvir o ruído característico do crânio se despedaçando, e partes do cérebro em meio ao sangue abundante tornaram-se visíveis. Deu um sorriso sarcástico e mais golpes se seguiram, jorrando o vital líquido vermelho para todos os lados. A cabeça do homem aos poucos tornou-se uma pasta gosmenta de ossos esmagados misturados com miolos. O corpo tremeu por alguns instantes, refletindo espasmos do sistema nervoso, mas depois cessou e permaneceu inerte. A cada golpe da imensa marreta, e foram muitos, ele aplicava mais força, movido por uma ira infernal e incontrolável.
                Estava satisfeito agora, pois sua vítima estava morta, aguardando apenas o apodrecimento lento da carcaça de carne, na qual os vermes iriam se alimentar em meio às vísceras e o sangue coagulado, e se divertir com a putrefação do cérebro esmagado.
                Agora já poderá voltar ao seu mundo sombrio, onde a solidão e a dor reinam absolutas na macabra escuridão do infinito.
                Retornará satisfeito para seu túmulo frio, pois sua vingança foi consumada... Ele matou seu assassino.

Obs.: Conto escrito em 1997 e publicado originalmente nos fanzines “Astaroth” 12, “Pesadelo” 3, “Boca Suja” 15 e “Skeletons of Society” 3. Foi adaptado para os quadrinhos como “Vingança do Além”, por Joás Dias de Lima e a HQ foi publicada nos fanzines “Juvenatrix” 14, “Fâ Sim HQ” 11 e “Pesadelo” 5.

“DEVIR BRASIL” LANÇA SHIROMA, MATADORA CIBORGUE, de ROBERTO DE SOUSA CAUSO


Título: Shiroma, Matadora Ciborgue. Autor: Roberto de Sousa Causo. Arte de Capa: Vagner Vargas. Editora: Devir Livraria. Número de páginas: 246. Formato: 14 x 21 cm, com orelhas; acabamento: laminação brilhante. ISBN: 978-85-7532-624-4. Preço sugerido: R$ 32,00.


A space opera — um tipo ficção científica muito em voga com todo o interesse por filmes como Star Wars, Star Trek e Guardiães da Galáxia, e programas de TV como Battlestar Galactica, Dark Matter e Killjoys — encontra na série de histórias “Shiroma, Matadora Ciborgue”, reunidas agora num livro com o mesmo título, um digno representante brasileiro. São onze narrativas de aventura espacial, com ideias científicas audaciosas e ambientadas em cenários exóticos, escritas pelo experiente escritor de ficção científica e fantasia Roberto de Sousa Causo.

Sequestrada ainda criança, Bella Nunes é o protótipo de um novo tipo de ciborgue com sistemas biocibernéticos supereficientes e indetectáveis. Sob o controle de um misterioso casal de criminosos, ela cresce para se tornar a temível matadora de aluguel e espiã Shiroma, protagonista de uma série de histórias primeiro publicadas no Projeto Portal, uma coleção de seis revistas de ficção científica, do consagrado escritor Nelson de Oliveira — autor de Subsolo Infinito e Poeira: Demônios e Maldições, e duas vezes ganhador do Prêmio Casa de las Americas. É Nelson que faz a introdução a Shiroma, Matadora Ciborgue.

As seis primeiras histórias de Shiroma — somadas a mais cinco narrativas inéditas — estão reunidas neste livro, de forma ampliada e compondo um arco narrativo completo, com a fase inicial das aventuras da personagem nas três Zonas de Expansão Humana pela Via Láctea.

Cumprindo sua primeira missão na Terra — no Bairro da Liberdade, em São Paulo —, Shiroma mais tarde elimina vilões em um dos planetas mais vigiados da galáxia, durante um exercício militar da mais temida tropa de elite humana, no covil de um grupo de revolucionárias armadas de artefatos nucleares, e em uma cidade-parque temático controlada pela implacável organização criminosa conhecida como “T’ien-Ti-Hwey da Era Galáctica”. Provada até o limite em situações de vida e morte, Shiroma tem como seu maior teste não ceder à loucura.

Do mesmo autor de Glória Sombria, romance indicado ao Prêmio Argos de Literatura Fantástica 2015 (promovido pelo Clube de Leitores de Ficção Científica) e primeiro volume da série As Lições do Matador, as dramáticas ações de Shiroma conduzem o leitor por uma galáxia repleta de intriga, violência e crime. O livro é parte do mesmo universo ficcional das Lições do Matador, protagonizado por Jonas Peregrino, personagem principal de Glória Sombria.

Elogios a Shiroma, Matadora Ciborgue

“Shiroma é uma pós-humana: uma garota geneticamente aperfeiçoada, com implantes biocibernéticos e inteligência incomum. É também uma das personagens femininas mais interessantes da contística atual, em tempos de igualdade de gênero e empoderamento da mulher. Ela protagoniza 11 contos de ação e reflexão, em que se entrelaçam perenes conflitos sociais e morais...”
—Folha de S. Paulo

 “Shiroma é guerreira, mas às vezes aparece bastante fragilizada emocional e fisicamente, e esse é um ponto importante em toda a série. Isso humaniza a heroína ciborgue... Suas aventuras nas Zonas de Expansão Humana são uma lufada de ar fresco no ambiente modorrento da literatura contemporânea... Uma coletânea densa, que merece mais de uma leitura. Reunidos, os onze contos que a compõem se iluminam, oferecendo muitas camadas secretas.”
—Da introdução de Nelson de Oliveira, autor de Subsolo Infinito

“Conto a conto, a personalidade de Shiroma vai-se construindo aos olhos do leitor, ao mesmo tempo suscitando indagações a respeito de ética, identidade e humanidade frente a um mundo dominado pela tecnologia. Recomendo este livro aos amantes da boa ficção científica e que, sem abrir mão da ação e do entretenimento, também apreciem refletir sobre as questões universais de que sempre se ocupou a literatura.”
—Ana Lúcia Merege
autora de O Castelo das Águias e A Ilha dos Ossos

“Com este novo livro, Roberto de Sousa Causo amplia ainda mais um dos mais ricos e vibrantes universos da space opera contemporânea. Shiroma segue a mesma estirpe ética e arrojada de Jonas Peregrino, do romance Glória Sombria: A Primeira Missão do Matador, e se estabelece como uma grande personagem da ficção científica brasileira.”
—Marcello Simão Branco
co-autor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica

Sobre o autor:

Um dos mais experientes escritores brasileiros de ficção científica, Roberto de Sousa Causo publicou pela primeira vez em 1989. Escreveu os romances Glória Sombria: A Primeira Missão do Matador e A Corrida do Rinoceronte, ambos pela Devir Brasil. Autor de mais de 80 histórias, apareceu em revistas e antologias de Cuba, China, Finlândia, França, Grécia, Rússia e outros quatro países. Seu primeiro livro de contos, A Dança das Sombras, foi lançado em Portugal em 1999. É o ganhador do Projeto Nascente 11, da Universidade de São Paulo e do Grupo Abril, com O Par: Uma Novela Amazônica, e do III Festival Universitário de Literatura, com a novela Terra Verde. Causo é Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo.

Veja mais sobre Shiroma, Matadora Ciborgue e Glória Sombria no site GalAxis: Conflito e Intriga no Século 25, criado pelo ilustrador e webdesigner Vagner Vargas: http://galaxis.aquart.com.br

Assessoria de Imprensa: imprensa@devir.com
R. Teodureto Souto, 624. São Paulo – SP. F.: 55 (11) 2127-8787

PERDIDOS NO ESPAÇO – Editora põe no ar a coleção TV Estronho


          A família Robinson e o piloto da espaçonave Júpiter 2, Don West, foram selecionados para iniciar “a colonização espacial pelo homem além das estrelas”. Criada por Irwin Allen, a série de TV terá sua história contada no primeiro livro brasileiro sobre o tema: “Perdidos no Espaço” (2016), lançamento da Editora Estronho, de São José dos Pinhais, Paraná. O livro editado por Marcelo Amado e escrito por Saulo Adami e Carlos Gomes, tem ilustração de capa de Eduardo Monteiro e será lançado dia 2 de julho, às 16 horas, no Festival Cultural Mondo Estronho, na Cinemateca de Curitiba. A obra abre a coleção “TV Estronho”, que tem como objetivo levar fãs ao encontro de astros e estrelas de séries de TV, inclusive produções brasileiras.
A série de TV “Perdidos no Espaço” foi ao ar de 15 de setembro de 1965 a 6 de março de 1968 e exibida no Brasil a partir de 1966. Inspirou a produção de desenhos animados, longa-metragem para cinema, histórias em quadrinhos e livros. A disputa judicial pela autoria da trama, depoimentos de fãs brasileiros apaixonados pelo tema e mantenedores de fãs clubes, destacam-se na narrativa do livro.
“Minha paixão por ‘Perdidos no Espaço’ começou no início dos anos 1970”, conta Carlos Gomes. “A série passava na TV no período da manhã. Foi amor à primeira vista”. A mesma paixão é compartilhada por vários colaboradores do livro, fãs que vivem no Ceará, em Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Ouvindo as vozes de seus realizadores, os livros da coleção “TV Estronho” reúnem personagens que povoaram cenários da infância e juventude de várias gerações, em diversos gêneros. As obras serão assinadas por autores que também são colecionadores e fãs de cinema e televisão. Abordam temas inéditos no Brasil, a história oficial, os bastidores e segredos das produções que marcaram época e permanecem vivas na memória dos fãs e dos telespectadores assíduos ou eventuais.
Mas, quais serão os próximos episódios da “TV Estronho”?
Os mecânicos Shazan e Xerife procuram a peça que falta para concluir sua invenção: a bicicleta voadora! Criados por Walther Negrão, e vividos por Paulo José e Flávio Migliaccio na telenovela “O Primeiro Amor” (1972), os personagens foram eternizados nos mais de 60 episódios da série “Shazan-Xerife & Cia.” (1972-1974). Permanecem na memória nacional por suas aventuras bem-humoradas a bordo da Camicleta, misto de caminhão e bicicleta – uma oficina ambulante –, ambientação que remetia espectadores aos primórdios do cinema mudo e do circo mambembe.
Criado por Ed Spielman, o monge Kwai Chang Caine é filho de mãe chinesa e pai americano. Em sua viagem ao oeste dos Estados Unidos de 1870 em busca de suas raízes ocidentais, Caine encontra cartazes oferecendo recompensa por sua captura (vivo ou morto) pelo assassinato do sobrinho do imperador da China ao defender seu mentor Mestre Po, assassinado pela comitiva imperial. Na série “Kung Fu” (1972-1975), o papel pretendido por Bruce Lee é interpretado por David Carradine. O personagem que não usa revólver nem cavalo, evita lutar, tem fala mansa e é adepto da meditação, inspirou telefilmes, duas séries de televisão, histórias em quadrinhos e livros. “Shazan-Xerife & Cia.” e “Kung Fu” serão assinados por Saulo Adami.

Divulgação de fanzine: “Convento Negro Zine”


Patch gigante do “Metallica” do final dos anos 80, dos tempos em que a banda era Thrash Metal


Conto de horror: “Cidade Fantasma” (1995)


CIDADE FANTASMA                por RR

            Caminhando entre as ruínas de uma pequena cidade no início desse século, o jovem Anderson Souza, de 25 anos de idade, observava ao seu redor uma brutal devastação, muitos corpos estraçalhados ou carbonizados em meio à destroços e um odor fétido de morte emanando dos cadáveres podres que foram massacrados. Ele estava ali, dois dias após a carnificina, observando a destruição total de uma cidade que não mais existia. A pequena vila no Estado de Goiás, interior central do Brasil, estava agora inexplicavelmente morta. O jovem parecia hipnotizado ao visualizar os escombros a sua volta, pensando estar vivendo um terrível pesadelo, onde a morte reinava soberana e satisfeita com sua vitória. Mas tudo era real. E nem o forte cheiro desagradável de putrefação proveniente da decomposição da carne parecia afetá-lo.
          Aquela era a sua cidade, mas ele não sabia o que havia acontecido. Estava ausente há duas semanas, acampado nas montanhas muito longe dali, descansando e pescando solitariamente. Ao retornar, encontrou tudo aniquilado e esmagado de maneira impiedosa.
        “Seria uma guerra?”, pensou. “Provavelmente não, pois não existem armas tão poderosas capazes de tamanha destruição”, concluiu.
         Os destroços não pareciam terem sido causados pelas armas convencionais que Anderson conhecia.
            Retomou a caminhada, agindo instintivamente, pisoteando escombros e restos de cadáveres que um dia foram seus amigos. Em certo ponto, ouviu um gemido agonizante próximo e localizou um homem ainda consciente entre as ruínas. Correu em sua direção e o pegou nos braços. O pobre homem não tinha uma das pernas e o sangue lhe cobria todo o corpo. Estava morrendo há dois longos dias. Delirando, balbuciou algumas palavras utilizando suas últimas forças:
             - Cuidado! Eles podem voltar!
             Mais alguns instantes se passaram e o homem morreu.
           O rapaz prosseguiu a jornada pensando nas palavras finais de agonia de um homem à espera da morte. “O que será que ele queria dizer com Eles podem voltar!?”
            Após caminhar por cerca de meia hora na cidade fantasma, o jovem repentinamente avistou no céu um estranho objeto de formato discóide repleto de luzes sobrevoando à baixa altitude a pequena vila, algo nunca visto antes. Depois apareceram muitos outros iguais, rompendo o silêncio da morte com o ruído de motores em funcionamento. O rapaz fugiu em desespero, sem entender nada, correndo por sua vida, tomado de medo e pavor.
            Ao olhar novamente para o céu, seu espanto não tinha dimensões após avistar uma gigantesca espaçonave exatamente sobre sua cabeça. O imenso disco pairava acima da pequena cidade destruída, não muito longe do solo. Ele então viu que as primeiras naves entravam e saíam dessa outra enorme.
           Agora Anderson, mergulhado em agonia, pensou estar totalmente insano perante o que via a sua volta.
       Eram seres alienígenas que preparavam um novo ataque. Suas intenções não pacíficas consistiam numa invasão em massa do planeta, destruindo tudo que encontravam. Seus objetivos eram dizimar toda forma de vida inteligente e se apossar do planeta para torná-lo seu mundo.
           Sem tempo para reagir, o jovem foi atingido por uma arma desconhecida disparada por um dos objetos menores. O tiro certeiro explodiu sua cabeça, espalhando pedaços de seu cérebro num raio de alguns metros e derrubando seu corpo inerte ao chão, mergulhando numa imensa poça de sangue e miolos.
          Eles voltaram...

Obs.: Conto escrito em 1995 e publicado originalmente nos fanzines “Astaroth” 19 (1999) e "Arghhh" 5.


Conto de horror: “Reflexões de Guerra” (2000)


REFLEXÕES DE GUERRA             por RR

                A noite estava fria, escura e chuvosa. Perdido na floresta, no meio de mais uma guerra insana, eu estava ferido e à beira de um colapso emocional. Eu me perdera do pelotão numa batalha e vagava agora sozinho em meio à mata, carregando a dor de um projétil que se alojara em meu ombro e questionava incessantemente o horror real à minha volta, e a barbárie insensata da guerra.
                Solitário, com frio, dor, cansaço, e com a escuridão me engolindo em suas entranhas e ocultando medos e pavores no desconhecido. Quanto à guerra, eu pensava com indignação qual o seu propósito, e consegui concluir, envergonhado de minha própria humanidade, que qualquer diferença entre os povos não deveria ser negociada com tanta violência e irracionalidade. Matar para não morrer. Destruir a natureza. Combater a vida trilhando marchas fúnebres e saudando a soberana morte, vencedora triunfal de todas as batalhas. Ferir, mutilar, proporcionar o sofrimento e a dor em meus semelhantes, matar e se congratular de minha superioridade frente ao inimigo. Tudo é insano e sem sentido.
                Ali, na escuridão, ferido, perdido num inferno criado pela minha própria espécie, eu continuava meus pensamentos e começava agora a delirar ao tentar entender a guerra. E visões também começavam a surgir à minha volta. Explosões, disparos de projéteis, gritos de dor, cheiro de sangue coagulado no ar, morte. Cenas de horror real em estado puro e absoluto. Delírios, visões... Sozinho, no escuro, dor, frio, o inferno... a guerra...
                Foi quando eu ouvi uma voz gutural, rouca, pavorosa, ecoar em meus ouvidos em meio às visões e ruídos do caos de meus delírios. Parecia um som sobrenatural, vindo da podridão do além, do desconhecido, como um lamento grotesco de uma legião de criaturas agonizantes e desesperadas. As palavras traduziam a dor profunda da guerra e me incitavam a obter a minha paz eterna. Sons guturais e distorcidos que gritavam pelo fim da loucura e sofrimento. Delírios, visões, mensagens...
                Eu, esgotado física e psicologicamente, esforcei-me em minhas poucas energias, peguei minha metralhadora, apontei para a própria cabeça, e sem hesitação disparei explodindo meu cérebro, cujos pedaços misturaram-se com a mata, agora vermelha de meu sangue, o sangue de outra vítima.
Para mim, a guerra finalmente acabava...
E o pesadelo também, acordando desesperado mergulhado em suor...

Obs.: Conto escrito em 2000 e publicado originalmente nos fanzines "Astaroth" 26 (2000) e "Desmodus Rotundus" 7.

Memórias do Metal Extremo: cartazes de shows, releases e merchandise do final dos anos 80 de bandas como “Blood Feast”, “Hallows Eve” e “Dark Angel” (EUA)


Numa época sem internet, os contatos eram todos por cartas enviadas pelos correios. Abaixo seguem algumas raridades do saudoso final dos anos 80 do século passado, como cartazes de shows, releases e informações de merchandise de importantes bandas americanas de metal extremo.













Horror e Metal Extremo: “Cannibal”, banda “Blood Feast” (EUA), álbum “Kill for Pleasure” (1987)




Expedition of death our story begins
Aboard the barge deception
Down the river of sins the winding and the bends
There will be no tomorrow
Forced to take a path on land
The trail is over-grown
Your tour guides flee because they are scared
But some power is driving us on

You can't see - you fall into the sand
You struggle for life - but you are damned
It's futile to run - they're right on your heels
Your life's almost over - that is the deal

The cannibals are coming for you
They will hunt you down
Drooling all over themselves
Making all grunting sounds

We come to a clearing feel a gush of air
With a smell so disgusting
We all gasp and reel it smells like a meal
Finally see what we searched for
A village in this hell all people covered in mud
They look as they smell
As one looks upon that sacred pole of death
You shake in despair

You can't see - you fall into the sand
You struggle for life - but you are damned
It's futile to run - they're right on your heels
Your life's almost over - that is the deal

The cannibals are coming for you
They will hunt you down
Drooling all over themselves
Making all grunting sounds
Breathing hot breath on you
There is no escape
All they want to do is chew
They'll have you on their plates

At last we realize we become distraught
The fear is too much to take
But too late to run, they surround us all
With their knives and stakes
Make a plan to escape, the cannibals move in
Wih hunger in their eyes
They get one person, time to dig in
And you will all die

You can't see - you fall into the sand
You struggle for life - but you are damned
It's futile to run - they're right on your heels
Your life's almost over - that is the deal

The cannibals are coming for you
They will hunt you down
Drooling all over themselves
Making all grunting sounds
Breathing hot breath on you
There is no escape
All they want to do is chew
They'll have you on their plates


O blog de literatura de horror “Prisioneiro da Eternidade” faz 10 anos em Agosto






Dica de leitura: Revista “Mundo Estranho”, edição especial “O Guia de Turismo do Terror”


Dividido nas seções “Locais Assombrados”, “Pontos Históricos Tenebrosos”, “Cenários de Crimes” e “Museus e Parques de Horror”.

Editora Abril. Lançamento Abril de 2016. 

Horror e Metal Extremo: “Legions of Destruction”, banda “Belphegor” (Áustria), álbum ”Conjuring the Dead” (2014)



LEGIONS OF DESTRUCTION - torture
LEGIONS OF DESTRUCTION - destroy

False - god of faith
Tortured with - daggers of bone
Summon - mighty wings
Demons eat - the poisoned angel

The taverns of fire...breathe!

Realize I am fire - I do not burn
Blackened flesh - armor of flames
Stigmata of horns - LEGIONS OF DESTRUCTION
Invert, pervert...destroy the cross of lies

Drag - our claws - across the earth
Rip down the sky
Rib of life - crushed with supremacy
Tomb of eyes - forbidden feast

Cross of death...destroy!

Realize I am fire - I do not burn
Blackened flesh - armor of flames
Incantations - Diabolus in Musica
Invert, pervert...destroy the cross of lies

The Inverted cross - Diabolus in Musica

Artigo de “Trash, Náusea Total” (Bad Taste, Nova Zelândia, 1987), de Peter Jackson


Escrito originalmente em 13/02/2005.

"Carne humana para hamburgers intergaláticos”

A “Editora Van Blad” lançou no formato VCD com distribuição nas bancas de jornais no início de Fevereiro de 2005 pela revista “VCD Collection” ano 1, número 4, o primeiro trabalho de maior porte do cineasta Peter Jackson, responsável por “Meet the Feebles” (89), “Fome Animal” (92), “Os Espíritos” (96) e a trilogia de “O Senhor dos Anéis” (2001/02/03). Trata-se de “Trash, Náusea Total” (Bad Taste, 87), que já havia sido lançado no Brasil no formato VHS e fora de catálogo há muito tempo.
É um filme de baixo orçamento e muita violência e sangue, onde Peter Jackson fez de tudo, desde atuar em dois papéis diferentes, dirigir, produzir, escrever o roteiro, editar e até criar os efeitos especiais e a maquiagem, além da direção da fotografia, filmando nos finais de semana com amigos e uma câmera 16 mm. Inicialmente, a ideia era apenas um projeto de curta metragem com cerca de dez minutos, abordando basicamente uma história de canibais e que chamava-se “Roast of the Day” (algo como “O Assado do Dia”), com os trabalhos se iniciando em 1983. Porém, com o passar do tempo foram surgindo novas ideias e com o lançamento bem sucedido de “The Evil Dead”, de Sam Raimi, o filme de Peter Jackson foi aumentado para quase uma hora e meia em quatro anos de filmagens, e o roteiro recebeu mudanças interessantes passando a se chamar “Bad Taste”, ou “Mau Gosto” / “Sabor Ruim” em traduções literais. Aliás, o nome nacional escolhido é até interessante pois “Náusea Total” é bastante coerente com a história (sem o desnecessário “Trash” colocado para aproveitar a moda “trashmania” que surgiu no Brasil na época).
 Um coletor de impostos, Giles Copland (Craig Smith), vai até uma pequena cidade do interior da Nova Zelândia chamada Kaihoro, e encontra tudo estranhamente vazio, sendo surpreendido pela perseguição de um psicopata armado com uma faca enorme, Robert (Peter Jackson, com barba). Ao pedir socorro numa das casas, Giles é recebido por um grupo de alienígenas disfarçados de humanos, que o capturam para tornar-se o cardápio. Os extraterrestres vieram ao nosso planeta com o objetivo de estocar carne humana para vender como alimento numa famosa rede intergaláctica de restaurantes chamada de “Deliciosas Mordidas” (que por sua vez precisava apresentar uma iguaria diferente aos seus clientes para combater a concorrente “Frituras Lunáticas”).
Porém, para enfrentá-los e salvar o coletor de impostos de se tornar janta dos alienígenas canibais, surge um grupo bizarro de agentes especiais fortemente armados, representando o “Serviço de Defesa e Investigação Alienígena” (ou A.I.D.S. – “Alien Investigation and Defense Service”) do governo neozelandês. O grupo é formado pelo nerd Derek (Peter Jackson, sem barba), companheiro de Barry (Pete O´Herne), além da dupla Frank (Mike Minett) e Ozzy (Terry Potter).
 O filme é uma paródia super divertida e extremamente sangrenta, repleta de situações hilárias e fortes cenas de violência com direito a cabeças explodidas à bala, banhos de sangue em profusão, vísceras expostas, desmembramentos, dilacerações, canibalismo, e todo tipo de atrocidades. Algumas cenas são antológicas e que merecem destaque como quando o alienígena Robert vomita uma imensa gosma verde num prato, a qual é considerada um delicioso mingau que deve ser experimentado pelos companheiros, obrigando o agente Frank disfarçado a comer um pouco da fina iguaria. Ou ainda quando o outro agente especial Ozzy (que lembra um soldado tipo “Rambo”) dispara uma arma enorme contra a casa onde os alienígenas estão escondidos, e o imenso projétil atravessa as janelas abertas e acerta uma ovelha que estava pastando distraída nos fundos, explodindo o bicho num monte de sangue e carne destroçada.
Algumas homenagens também podem ser reparadas como numa cena onde Peter Jackson referencia o momento de dormir dos integrantes da família de “Os Waltons”, famosa série de TV dos anos 70. Ou ainda numa cena homenageando o clássico moderno “O Iluminado” (1980), quando Derek está enlouquecido depois de bater a cabeça e perder partes do cérebro (e também de misturar pedaços de cérebros dos alienígenas ao seu próprio), e arrombar uma porta com uma serra elétrica, numa cena similar àquela de Jack Nicholson no filme de Stanley Kubrick.
Sem contar a completamente estranha e hilária nave espacial dos alienígenas (que só rivaliza com a nave de “Palhaços Assassinos” / “Killer Clowns From Outer Space”, 88). Aliás, uma curiosidade é que não existem mulheres entre os principais personagens (existem apenas uma ou outra embaixo de fantasias interpretando alienígenas masculinos). E o cineasta multifuncional Peter Jackson durante o período em que filmava “Trash, Náusea Total” (quatro longos anos), conheceu a roteirista Francis Walsh,que se tornou sua esposa e parceira em muitos trabalhos posteriores como a badalada saga “O Senhor dos Anéis”.
"Trash, Náusea Total” é recomendado para todos aqueles que apreciam o cinema fantástico de baixo orçamento, produções menores e mais caseiras com histórias bizarras e não convencionais. É indicado também para os fãs do cineasta Peter Jackson, que antes de tornar-se mundialmente conhecido pela trilogia de “O Senhor dos Anéis”, já fazia seus filmes baratos com temas escatológicos. E para os colecionadores de filmes, certamente vale a pena adquirir o VCD distribuído nas bancas de jornais, como um item indispensável em qualquer videoteca de horror.
A “Editora Van Blad”, a exemplo do que já havia ocorrido com o lançamento anterior do VCD de “O Túnel do Horror” (uma antologia com um episódio baseado em conto de Stephen King), cometeu novamente alguns equívocos que inevitavelmente incomodam. A começar pela capa do VCD, informando duas vezes que o filme é do diretor Peter Jackson (bastava uma única vez, não precisava mencionar o fato no topo e embaixo da ilustração de capa). Porém, eles acertaram em reproduzir o cartaz original, onde um alienígena faz um gesto obsceno com o dedo médio (nos Estados Unidos, houve um fato ridículo sobre a distribuição do vídeo, onde acrescentaram mais um dedo ao lado do dedo médio do alienígena, não simulando mais um gesto obsceno e sim um dispensável sinal tipo “paz e amor”).
Na contra capa do VCD, a sinopse tem um erro grotesco, mencionando que o filme tem muitas “decepções”, onde provavelmente eles queriam dizer “decepamentos” (pois a palavra “decepação” não existe no famoso dicionário da língua portuguesa “Aurélio”). Sem contar que quem fez a arte final trocou uma simples palavra no nome de Peter Jackson, que ficou como “Oeter”. Tem também a informação “Tempo VCD: 60 min”, que não faz o menor sentido, já que o filme tem 88 minutos e não foi cortado (ainda bem...). A editora deveria se preocupar mais com o trabalho de revisão para a arte final das capas do VCD.
Já a revista “VCD Collection” número 4, tem como maior erro colocar na capa uma foto onde destaca um “orc” de “O Senhor dos Anéis”, quando o certo deveria ser uma imagem relacionada ao filme que está sendo lançado pela revista, ou seja, um cartaz ou foto de “Bad Taste”. (por RR)

“Trash, Náusea Total” (Bad Taste, Nova Zelândia, 1987). Duração: 88 minutos. Direção, produção, roteiro, fotografia, edição, efeitos especiais e maquiagem de Peter Jackson. Música de Michelle Scullion. Elenco: Peter Jackson (Derek / Robert), Barry (Pete O´Herne), Frank (Mike Minett), Ozzy (Terry Potter), Craig Smith (Giles Copland), Doug Wren (Líder alienígena), Dean Lawrie, Peter Vere-Jones, Ken Hammon, Robin Griggs, Michael Gooch, Peter Gooch, Laurie Yarrall, Shane Yarrall, Philip Lamey.


Divulgação: “Almanaque da Arte Fantástica Brasileira 2015”


Resenha de “Tarântula” (EUA, 1955)


Escrito originalmente em 25/06/2011.

Os anos 50 do século passado foram muito produtivos para o cinema fantástico, com uma infinidade de bagaceiras super divertidas como “Tarântula” (Tarantula, EUA, 1955), produzido pela Universal em preto e branco, com direção de Jack Arnold e roteiro de Robert M. Fresco e Martin Berkeley.
Curto com apenas 80 minutos de duração, é considerado como um dos mais expressivos filmes com aranhas gigantes, situado dentro do sub-gênero conhecido como “big bug”, ou seja, filmes que apresentam histórias com insetos de tamanhos descomunais como formigas, gafanhotos, louva-deus, vespas e escorpiões. Nesse caso, temos uma tarântula que acidentalmente cresce a uma altura de 30 metros devido ao contato com um hormônio de crescimento de uma fórmula desenvolvida pelo “cientista louco” Prof. Gerald Deemer (o inglês Leo G. Carroll), especialista em biologia nutricional que também se transformou num mutante grotesco por causa da mesma solução química injetada em si mesmo. Trabalhando num laboratório isolado no deserto do Arizona, sua intenção era criar um nutriente especial capaz de auxiliar na alimentação da população mundial, numa preocupação com seu crescimento desenfreado no futuro e os problemas com a fome.
Porém, um casal formado pelo médico local da pequena cidade de “Desert Rock”, Dr. Matt Hastings (John Agar), juntamente com a estudante de biologia Stephanie “Steve” Clayton (Mara Corday), está desconfiado do misterioso trabalho de pesquisa do cientista. Eles tentam investigar o caso e descobrem a ameaça mortal da tarântula gigante faminta por carne, que passa a aterrorizar a região atacando animais e pessoas, sendo combatida por bombas incendiárias dos caças da força aérea americana.
Curiosamente, o então ainda jovem ator Clint Eastwood, tem uma rápida e pequena participação próximo ao final do filme, com o rosto parcialmente coberto por um capacete, no papel do líder do esquadrão de aviões de guerra. Ele que obteve depois um estrondoso sucesso em sua carreira como ator e também como cineasta de grande reconhecimento.
Mesmo sendo uma produção tipicamente de baixo orçamento e pelas dificuldades técnicas existentes numa época de mais de meio século atrás, os efeitos especiais com a aranha gigante são ótimos e impressionam, apesar de obviamente as cenas de ataques do enorme aracnídeo serem escuras de forma proposital para esconder os defeitos e manter ao máximo o clima de tensão.
O diretor Jack Arnold é conhecido por suas incursões no cinema fantástico, sendo o responsável por pérolas como “Veio do Espaço” (53), “O Monstro da Lagoa Negra” (54) e “O Incrível Homem Que Encolheu” (57). A bela atriz Mara Corday esteve também em outro filme de inseto gigante, “O Escorpião Negro” (The Black Scorpion, 1957). O ator John Agar (1921 / 2002) é lembrado por suas participações em inúmeros filmes “B” de horror e ficção científica como “Revenge of the Creature” (1955), “The Mole People” (1956), “The Brain From Planet Arous” (1957), “Attack of the Puppet People” (1958), “Invisible Invaders” (1959), “Journey to the Seventh Planet” (1962), “O Monstro de Vênus” (1966) e  “Women of the Prehistoric Planet” (1967).
“Tarântula” foi lançado em DVD no Brasil pela “Continental”, trazendo como material extra breves biografias de Clint Eastwood e Jack Arnold, além de um trailer original. (por RR)


Resenha de “Martyrs” (França / Canadá, 2008)


Escrito originalmente em 23/04/2009.

“Alta Tensão” (Haute Tension / High Tension, 2003), “Eles” (Ils / Them, 2006), “A Invasora” (À L´intérieur / Inside, 2007), “Fronteira (A)” (Frontiere (s) / Frontier (s), 2007), e agora “Martyrs” (2008). O cinema de horror francês é atualmente um dos mais violentos e perturbadores, com filmes tensos, carregados de “gore” em roteiros que prendem a atenção e principalmente que ficam na memória do espectador. E também, com algumas exceções, constatamos que o tão badalado e popular cinema americano de horror não tem conseguido nos dias de hoje deixar de ser comum, trivial, repleto de clichês e excessivamente comercial, em detrimento de histórias originais e imagens ousadas de violência gráfica.
É difícil apresentar a sinopse de “Martyrs” sem esbarrar em armadilhas reveladoras de “spoilers”, portanto a história será resumida em poucas palavras básicas apenas para registro: Lucie (Mylène Jampanoi) é uma jovem em busca de vingança contra as pessoas que a aprisionaram e torturaram quando criança e de quem conseguiu fugir de forma desesperada, abandonando o cativeiro. Em sua jornada por justiça pessoal, conta com a ajuda da amiga Anna (Morjana Alaoui), que a apoiou durante anos nos momentos de depressão e com seu problema de auto mutilação. Porém, tanto Lucie (atormentada num mundo de insanidade), quanto principalmente Anna, não imaginariam a horrenda experiência com propósitos obscuros em que seriam vítimas.
Dirigido e escrito por Pascal Laugier, o cineasta escolhido para comandar a refilmagem de “Hellraiser” (com previsão de lançamento em 2011), o filme é ultra violento (a cena de vingança com o tiroteio é memorável), sangrento ao extremo (o líquido vermelho banha a tela em demasia), e explora um tema original (depois de ver o filme o espectador refletirá sobre o real significado de “mártir”), através de elementos interessantes que nos remetem a outros filmes como o americano “O Albergue” (Hostel), de Eli Roth, na idéia de uma sociedade secreta com objetivos sinistros, e as películas orientais com fantasmas atormentados, nas cenas de alucinação de uma das personagens. E ainda temos um desfecho adequado, tão perturbador quanto toda a bizarra história que é apresentada. É interessante também notar como os cineastas franceses procuram colocar mulheres como protagonistas (reparem nos filmes citados no início desse texto), fazendo-as sofrer na carne dores e torturas inimagináveis, transformando-as em mártires literalmente. Altamente recomendável, “Martyrs” é cinema de horror puro, que merece e deve ser respeitado e reverenciado.

Obs.: Em 05/05/16 estreou nos cinemas brasileiros uma refimagem americana produzida em 2015, com direção dos irmãos Kevin e Michael Goetz, e que recebeu por aqui o mesmo título original. De uma forma geral é inferior ao filme francês, mas ainda assim passa a sua mensagem com boas cenas de violência e um final também perturbador. (por RR)

Horror e Metal Extremo: “The Trial”, da banda “Exorcist” (EUA), álbum ”Nightmare Theatre” (1986)


Kill them!!! Kill them!!! Kill them!!! Order! Order in the court! Order in the court! Order in the court! Order in the court! Guilles Corrine, Sarah Alpine, Nathaniel Harts, Abigail Harts, William Barker and Elizabeth Proctor, you have been found guilty of practicing sorcery, foul witchcraft, and murder by bewitchment. For these crimes, you are sentenced to be burned at the stake alive, without the benefit of strangulation!


Divulgação de evento: Exposição de fanzines em Pedra de Guaratiba/RJ em 15/07/16